Principais conceitos:
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O
corpo de dor é uma entidade semiautónoma que habita em cada um de nós e que se
alimenta de sofrimento, de infelicidade, de dor.
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Como
todos os seres precisa de se alimentar – o seu alimento é constituído por
emoções negativas (ansiedade, medo,
raiva, ira, crueldade, ódio, inveja, ciúme, …), energia negativa.
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O
corpo de dor é algo que se entende com o nosso coração e menos com a nossa
mente. Sentimos que é real, que é causa de tanto mal à nossa volta, mas a nossa
mente tudo faz para negar a sua existência. Ou seja, é um choque saber que
todos possuímos algo que sente prazer em criar e prolongar a dor e o sofrimento
para nós e para os outros.
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O
corpo de dor está diretamente relacionado com o nosso ego e com as emoções. O
Ego depende do grau de identificação com a nossa mente, com o pensamento. Por
sua vez, as emoções nascem da reação aos pensamentos produzidos pela mente.
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Os
pensamentos e emoções que fazem parte do ego são aqueles com os quais nos
identificamos por inteiro, que julgamos como sendo a nossa própria pessoa.
Quando se convertem no nosso “eu”.
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A
inteligência do nosso organismo físico reage ao que a nossa mente diz, reage
aos nossos pensamentos. A isso chamamos emoção.
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Devemos
distinguir as respostas instintivas das emoções. As primeiras acontecem perante
uma ameaça ou um desafio: ira primordial, medo, prazer. Trata-se de uma
resposta direta do corpo a uma situação externa.
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Uma
emoção pode ser a resposta a uma situação ou acontecimento real, mas é uma
resposta que passa pelo filtro da interpretação mental, introduzindo os
conceitos mentais de bom e mau, gosto e aversão, eu e meu.
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O
corpo não sabe distinguir entre uma situação real e um pensamento – pensamento
que sente como se fossem uma realidade.
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A
voz que existe dentro da nossa cabeça (que se faz passar por nós) conta-nos uma
história em que o corpo acredita e à qual reage. Nascem as emoções. Estas
devolvem energia aos pensamentos que as criaram. É um ciclo vicioso que leva à
criação emocional de histórias.
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A
educação tem um peso relevante na criação de pressupostos implícitos e
inconscientes: “Não se pode confiar nas pessoas”; “Ninguém me respeita nem me
dá valor. Tenho de lutar pela minha sobrevivência” ;“O dinheiro nunca é
suficiente”; ”A vida desilude-nos sempre”; “Não mereço a abundância”; “Não
mereço o amor” – Que dão origem à nossa realidade pessoal.
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O
que é uma emoção negativa? É uma emoção que é tóxica para o corpo e que
interfere com o seu equilíbrio e o seu funcionamento harmonioso: Medo,
ansiedade, ira, má vontade, tristeza,
ódio ou aversão profunda, ciúme, inveja – todas prejudicam o fluxo de energia
que percorre o nosso corpo. Constituem a infelicidade.
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Existem
emoções positivas geradas pelo ego amor/posse,
enaltecimento/critica,festa/ressaca… e aquelas que são profundas=estados do
ser: amor, alegria e a paz; - que não
têm oposto;
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Os
resíduos de dor deixados para trás por uma forte emoção negativa que não foi
totalmente encarada, aceite e abandonada juntam-se, formando um campo
energético que vive dentro das células do nosso corpo. Trata-se da dor da
infância, ma também nas emoções dolorosas que lhe foram acrescentada
posteriormente, durante a adolescência e a vida adulta, muitas delas criadas
pela voz do ego. *A este campo energético de emoções antigas, mas ainda muito
vivas, que habita dentro de quase todos os seres humanos que EcKhart Tolle dá o
nome de Corpo de dor.
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O
corpo de dor não é apenas individual – tem ligação com a dor sofrida por
inúmeros seres humanos ao longo da história da Humanidade, que é uma história
de permanentes guerras tribais, de escravidão, pilhagens, violações, tortura e
outras formas de violência.
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Os
recém-nascidos quando vêm ao mundo já carregam um corpo de dor emocional.
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O
corpo de dor pode ajudar as pessoas a ganharem consciência. (Nem sempre é só
negativo)
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É
preciso mais consciência para o reconhecermos em nós próprios, do que nos
outros. Assim que a infelicidade nos domina, não só não queremos que ela acabe,
como também queremos que os outros se sintam tão infelizes como nós, para nos
alimentarmos das suas reações emocionais negativas.
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O
corpo de dor pode encontrara-se num estado latente ou ativo.
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Ele
desperta do seu estado latente quando tem fome, quando tem de se reabastecer.
Em alternativa, pode ser desencadeado por algum acontecimento em qualquer
altura. Perante um acontecimento insignificante serve de estímulo a um novo
desencadear do processo – basta o que alguém diz ou faz ou, ainda, um simples
pensamento.
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As
emoções positivas e os pensamentos positivos também são formados por energia.
Porém não são digeríveis pelo corpo de dor.
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O
nosso corpo de dor vai tentar provocar as pessoas com quem vivemos,
espicaçá-las, para se poder alimentar do drama subsequente.
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O
corpo de dor dos outros também fazem o mesmo, tenta despertar o nosso, para
ambos se poderem alimentar mutuamente. Esta é a principal forma de transmissão
do corpo de dor de geração em geração.
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A
maior parte dos corpos de dor deseja ambas as coisas, sofrer e infligir dor,
mas alguns são predominantemente perpetradores ou vítimas. Alimentam-se sempre
de violência emocional ou física.
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Algumas
pessoas carregam corpos de dor densos que nunca estão completamente latentes –
mesmo a sorrir e a conversar educadamente deixam transparecer a sua
infelicidade pronta a poder reagir culpando ou confrontando alguém ou alguma
coisa que possa causar mais infelicidade.
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Entretenimento,
os mass média e o corpo de dor – as novelas, as notícias com uma carga negativa
atraem muitos espetadores – quanto mais as coisas pioram, mais entusiasmados
ficam os apresentadores e o público – é frequente o entusiasmo negativo ser
gerado pelo próprio meio de comunicação.
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Corpo
de dor coletivo feminino – ativado particularmente na fase pré-menstrual. Nessa
altura as mulheres são dominadas por intensas emoções negativas. O ego não
domina tanto a mente feminina como a mente masculina.
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Corpo
nacional e racial – há países que apresentam um corpo de dor mais denso do que
outros.
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O
único perpetrador do mal no nosso planeta: é a inconsciência humana. Reconhecer
isso é o verdadeiro perdão. Deixamos de ser vítimas e o nosso verdadeiro poder
emerge – o poder da presença.
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LIBERTAÇÃO:
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- 1º Reconhecer que temos um corpo
de dor.
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- 2º Manter a presença de modo a nos
darmos de conta do corpo de dor;
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- 3º Reconhecer a infelicidade –
quando ela existe;
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- 4º Deixar de suportar o ciclo do
sofrimento – começar a despertar;
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- 5º Abandonar a identificação com o
corpo de dor;
In: Um novo Mundo – Eckhart Tolle
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